Um dia na Itália

Por motivo de trabalho estive ontem na Itália(a torta de frango brasileira vai ganhar o mundo), incrível como o país tem construções antigas e históricas razoavelmente preservadas.
Um país sem duvida de raízes, de origens históricas de guerras, conquistas, perdas e muito heroísmo.
Mas e a Itália hoje como é?

Primeira impressão, chegando no aeroporto de Milão, vôos atrasados, filas, e gritaria, pensei comigo “-Vim para o Brasil sem querer”.
Mas logo ouvi o bom e velho italiano em alto e bom som, me assustei de cara, mas pensei, não podemos deixar a primeira impressão me guiar, sou uma pessoa culta e como tal preciso de mais objetos para uma analise.
Saio da estação e começam as facadas, 10 euros o ônibus do aeroporto para o centro, isso mesmo, R$27,00.
Como tenho conhecidos na Itália sei que mesmo para os padrões deles é uma tarifa alta, realmente exploratória, para simplificar seria algo como R$10,00 no Brasil.

Dentro de Milão dou de cara com um Outdoor de uma anoréxica nua, completamente nua, depois lendo os jornais fiquei sabendo que é uma campanha contra anorexia que esta sendo feita e muito criticada aqui, e concordo, a foto realmente é bastante assustadora e marcante.

Refeito do susto, pedi informações sobre que ônibus pegar, consegui com um africano que mora aqui fazem alguns anos, pois os italianos simplesmente me ignoravam quando perguntava(em bom italiano), ou eram muito velhos para ouvir, ou ainda estavam ocupados falando sozinhos, muitos até brigando com eles mesmos, um show a parte!

Com a informação em mãos, fui para o ponto de ônibus, e la tinham os horários que os ônibus passam, e vi o meu, de 10 em 10 minutos.

Maravilha pensei, em 5 minutos ele deve chegar.

Passam 5, 10, 15, 20, 30 minutos até que o “maledetto” chegasse, estava cheio, lotado no significado mais objetivo da palavra, e o ponto igualmente lotado pois o ônibus tinha saltado 2 horários.
Saem 3 do ônibus e tentam 30 entrar, empurra, puxa, agarra, entra de cabeça, de ladinho, e nada, seis felizardo conseguem de forma heróica entrar, eu infelizmente não estava no sorteio.
Esperei por mais 10 minutos e ai sim o ônibus passou no horário, novamente bastante cheio, mas dessa vez com um pouco mais de espaço, estava esperto, mais do que depressa corri na frente do velhinho que estava do meu lado e entrei no ônibus, aprendi que aqui educar é ser esperto.

Dentro do ônibus, que suvaqueira.. nem no Brasil senti tamanho fedor, operário sujo suado eu até aguento do lado, mas senhor de idade, com mais de 1 semana sem tomar banho com cheiro de defunto retirado do túmulo não da, a coisa toda foi embrulhando meu estômago, quando pensava que não ia aguentar mais cheguei no meu ponto, graças a Deus pensei, estava no meio do ônibus, e chegar até a porta antes do motorista a fechar foi uma tarefa das mais difíceis.
Primeiro porque o infeliz fecha mesmo depois de alguns segundos, desceu, desceu, senão desce na próxima, e em segundo porque os infelizes sobem pela saída e não contentes param ali, e se amarram nos ferros de sustentação da mesma, impossibilitando qualquer coisa mais grossa que um alfinete de passar sem dar umas boas cotoveladas neles, quando acerta a boca do estômago, eles ficam sem ar e se encolhem, esse é o sinal, passe correndo e desça, senão só no próximo.

Desci, e via o prédio de destino do outro lado da rua, um novo desafio, testar a faixa de pedestres, primeiro fiz como faço na Suécia, parei na calçada ao lado da faixa e fiquei olhando para a cara dos motoristas esperando que parassem.

Olhavam para mim e só faltava dizer, “trouxa”, e aceleravam ainda mais.

Depois de 5 minutos sendo chamado de trouxa por olhar pensei em utilizar a tática que usava no Brasil, e, onde morava funcionava(sei que existem vários “Brasis” diferentes).

Enfiei o pézao na faixa, inclinei a cabeça adiante como faz um corredor de 100 mts rasos, indicando claramente, para ai meu, quero passar.

Quase perdi o pé.

Depois de uns 10 minutos ali, estava pensando em ligar para meu contato vir me buscar do outro lado da rua, quando vi uma senhora de idade, ela olhou pra frente e atravessou, e os carros que pareciam vir a 200km/h, iam freando derrapando e paravam realmente, em cima dela, mas paravam.

Eu fui no vácuo, mal pus o pé do outro lado da rua, quase perco o calcanhar com uma scooter mais apressada.

Cheguei, fiz meus negócios e fiz toda essa odisséia pra voltar ao aeroporto e por conseqüência Suécia.

Ao chegar no conforto do meu lar só pude pensar, “Graças a Deus”, e nem sou religioso.

Resumo do meu dia na Itália, sustos, medo, e a sensação de que os italianos simpáticos que vão para fora do país são grandes mentirosos, ou, que todos simpáticos abandonaram o país.

2 comments ↓

#1 carolina on 10.14.07 at 8:44 am

Que pena.
Estive um mês na Italia viajando sozinha e simplesmente Amei!! Tirando Nápoles, o resto da bota me recebeu muito bem. Quem sabe não teve um bom dia.Ri de sua descrição do farol.Acho que importaram de Portugal, pq quando está verde pro pedestre sempre vem um carro de algum lugar!!
saluti

#2 Thomaz Fernandes on 10.27.07 at 7:10 am

Alguma dúvida que a Itália é o Brasil da Europa? hehehehe
Guarda questo video: http://www.lifeinitaly.com/flash/

Abraços

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